Mandraz lança “O Nefelibata” e consolida identidade própria no rock progressivo brasileiro

Projeto brasileiro mistura referências clássicas com produção moderna e aposta no português como identidade

Desde 2021, o Mandraz vem construindo seu espaço no cenário do rock e metal brasileiro de forma silenciosa e consistente. O projeto, liderado pelo baterista e compositor Daniel Berrettini ao lado do baixista G. Cross, opera no modelo de músicos convidados — o que, longe de ser uma limitação, parece ser justamente o que dá ao trabalho uma flexibilidade sonora que projetos de formação fixa raramente conseguem.

O novo single “O Nefelibata” é o exemplo mais claro disso até agora.

A faixa transita entre metal progressivo, hard rock e referências do rock clássico dos anos 70 e 80 sem soar como exercício nostálgico. Há algo de contemporâneo na forma como os elementos se encaixam — os efeitos, a produção, o peso do instrumental — que impede a música de cair no pastiche. É uma faixa que conhece suas influências mas não se curva a elas.

Daniel Berrettini conduz a bateria com uma dinâmica que vai além do suporte rítmico. Em “O Nefelibata”, a percussão tem voz própria, criando tensão e respiro em momentos que a maioria das bandas simplesmente deixaria passar. Há trechos de delicadeza genuína que contrastam com a energia do restante da música — e é justamente nesse contraste que o cuidado composicional do projeto se revela com mais clareza.

Cantar em português é, talvez, a decisão mais corajosa e mais acertada do projeto. No metal brasileiro, a escolha pelo inglês ainda é a norma — e o Mandraz nada contra essa corrente com naturalidade. Há uma identidade genuína no resultado, algo que dificilmente seria alcançado de outra forma.

O clipe acompanha a proposta conceitual da música com coerência, e a filosofia do projeto — representada pela coruja Mandraz, figura que observa o comportamento humano como um ser onisciente — adiciona uma camada de profundidade que vai além da música em si.

O objetivo declarado de Daniel neste momento é conquistar visibilidade e consolidar o Mandraz com uma banda de formação estável. Ouvindo “O Nefelibata”, fica claro que a parte mais difícil — ter algo realmente bom para mostrar — já está resolvida.

“O Nefelibata” está disponível nas plataformas digitais. Ouça no link anterior e siga a banda nas redes sociais.

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