Em novo single, os conterrâneos de Estocolmo do Jonestown condensam agressividade técnica e referências à obra de Nikolai Gogol como prévia de seu álbum de estreia.

A cena sueca de metal é historicamente reconhecida por sua capacidade de fundir peso extremo e apelo melódico, e o quinteto Jonestown, baseado em Estocolmo, surge como mais um capítulo dessa tradição. Com o lançamento de “Viy”, segundo single extraído de seu aguardado álbum de estreia, Promise of Enlightenment, a banda estabelece uma assinatura que equilibra o dinamismo do thrash metal com a solidez estrutural do metal tradicional.
O cartão de visitas da faixa é a sua urgência rítmica. “Viy” se apresenta de forma veloz e agressiva, mas evita a armadilha do caos puramente gratuito; há um senso estrito de controle na execução que confere sustentação à música do início ao fim. O grande trunfo da composição repousa no trabalho de guitarras. Os riffs são nítidos, cortantes e carregam ganchos memoráveis que garantem imediatismo à audição, aproximando a rispidez do thrash de construções harmônicas mais clássicas e progressivas.
Para além da arquitetura sonora, o aspecto que eleva o single é o seu estofo conceitual. Ao buscar inspiração no conto homônimo de horror do autor ucraniano Nikolai Gogol — e na subsequente adaptação cinematográfica soviética de 1967 —, o Jonestown dota a faixa de uma atmosfera narrativa singular. Essa costura entre o peso do instrumental e o misticismo sombrio da literatura eslava de terror adiciona camadas de profundidade à experiência, distanciando o grupo do lugar-comum temático do gênero.
Com uma produção equilibrada que preserva a crueza necessária ao estilo sem sacrificar a clareza dos arranjos, “Viy” cumpre com propriedade o papel de antecipar a identidade do Jonestown. Trata-se de um cartão de visitas tecnicamente seguro e artisticamente ambicioso, sob medida para entusiastas de um metal que preza tanto pelo impacto físico dos riffs quanto pela solidez de seu pano de fundo.


