Embalada pelo lançamento de seu primeiro disco cheio, cantora e compositora de Tatuí engrena agenda robusta de shows pelo interior paulista e marca presença no lineup do João Rock 2026.

A dinâmica do mercado da música independente costuma cobrar um preço alto de quem tenta conciliar estrada e identidade sonora. No caso de Aléxia, no entanto, a transição entre o estúdio e os grandes palcos tem acontecido em ritmo acelerado. Com o recente lançamento de Garra, seu primeiro álbum de estúdio, a cantora e compositora paulista vem moldando uma trajetória que chama a atenção tanto pelo volume de apresentações quanto pela ocupação estratégica de festivais relevantes no circuito estadual.
O ponto focal dessa nova fase acontece no dia 1º de agosto, quando a artista sobe ao Palco Eisen Rock Station da 21ª edição do João Rock, em Ribeirão Preto. Tocar em um evento com público estimado em 65 mil pessoas e ingressos já esgotados coloca Aléxia no mesmo ecossistema de nomes históricos como Os Paralamas do Sucesso, Alceu Valença e Raimundos, além de expoentes da cena contemporânea.
A escalação para o festival de Ribeirão Preto não surge como um fato isolado, mas como reflexo de uma rotina de estrada que prevê ultrapassar a marca de 60 apresentações ao longo de 2026. A circulação da Tour Garra inclui ainda passagens pelo Festival de Inverno de Paranapiacaba, a 45ª Festa Julina Beneficente de Sorocaba — dividindo a programação do Fest Rock Julino com veteranos do gênero —, o Santa Bárbara Rock Fest em agosto e o GuaruRock, em Guarulhos, agendado para setembro.
O motor dessa movimentação é o repertório de Garra, trabalho de 14 faixas lançado no fim de abril. No disco, Aléxia formaliza a sonoridade que define como “heavy pop”: uma equação que busca equilibrar a densidade do metal e do rock alternativo à objetividade melódica do pop punk. As letras evitam temas genéricos para focar em vulnerabilidades cotidianas, abordando saúde mental, luto, reconstrução e o processo de busca por pertencimento.
A resposta do público ao material autoral começou a se desenhar também na plataforma audiovisual. O videoclipe de “Seja Você”, faixa de trabalho gravada em Tatuí, ultrapassou recentemente a marca de 50 mil visualizações no YouTube, registrando o maior alcance da carreira da cantora na plataforma até o momento. A estratégia para os próximos meses prevê o lançamento de novos registros audiovisuais para sustentar o ciclo de vida do álbum.
Natural de Apiaí e estabelecida em Tatuí, a cantora não é exatamente uma estreante na lida dos palcos. Com um histórico que ultrapassa 500 shows, Aléxia construiu sua bagagem em etapas gradativas, que incluem desde conquistas em premiações regionais, como o Festival de Rock de Indaiatuba e a seletiva do Porão do Rock, até a abertura da turnê brasileira da banda norte-americana The Calling.
Em um momento em que a cena rock nacional busca renovação de nomes e linguagens, a presença constante de Aléxia nas grades dos festivais paulistas aponta para uma consolidação construída na base do trabalho de estrada — onde o teste de audiência é diário e a resposta costuma ser imediata.


