Com “Beneath The Static” e “Still Alive in the Aftershock”, o quarteto americano demonstra maturidade na construção de um rock pesado que equilibra agressividade e direção musical

Vinda de Ohio — estado com histórico relevante no rock e metal americano —, a banda Tortured vem construindo seu espaço com consistência. Suas duas faixas mais recentes, “Beneath The Static” e “Still Alive in the Aftershock”, chegam carregando influências do alternative metal dos anos 2000, com DNA facilmente reconhecível em nomes como Breaking Benjamin e Three Days Grace, mas sem se limitar a isso.
“Beneath The Static” é o ponto de partida mais imediato para entender o que a banda propõe. A faixa transita entre passagens pesadas e seções mais melódicas com uma fluidez que muitos grupos nesse estilo não conseguem sustentar — a tendência comum é ou suavizar demais ou manter a mesma intensidade do início ao fim, o que cansa. Aqui, as mudanças de dinâmica acontecem quase sem aviso, o que mantém a música em movimento e adiciona uma camada de imprevisibilidade que remete a algo próximo da energia do Three Days Grace e Spiritbox.
Em “Still Alive in the Aftershock”, a banda dá um passo além. As guitarras são agressivas, mas o que chama atenção é que, mesmo com a faixa no limite, existe espaço sonoro — algo que boa parte dos grupos nessa vertente nunca consegue resolver. A produção é limpa sem soar asséptica: o grave está presente, as guitarras não enlamearão o mix e os vocais se mantêm nítidos mesmo nos momentos de maior caos. A atuação vocal, especialmente, se destaca pela convicção — não é uma entrega técnica, tem algo real por trás.
A participação de Jason Mize na faixa merece menção à parte. Collabs nesse estilo frequentemente puxam uma música para longe da identidade original da banda — aqui isso não acontece. Mize se encaixa no contexto sem deslocar o som do grupo, que continua soando como Tortured do início ao fim.
O que as duas músicas juntas indicam é um movimento em direção a algo mais definido. “Beneath The Static” já sinalizava qualidade, mas “Still Alive in the Aftershock” sugere que algo está se consolidando — uma voz própria dentro de um gênero que exige exatamente isso para que uma banda se diferencie. O próximo passo é continuar aprofundando o que já está funcionando.

