Helloween volta ao Brasil 40 anos depois e a turnê expõe as tensões de uma banda dividida em três eras

Porto Alegre e São Paulo recebem os alemães neste mês de setembro, num show que tenta equilibrar quatro décadas de história sem repetir a fórmula da “reunião nostálgica”

O Helloween desembarca no Brasil nos dias 16 e 19 de setembro, respectivamente na KTO Arena, em Porto Alegre, e na Suhai Music Hall, em São Paulo, dentro da 40 Years Anniversary Tour. A efeméride não é pequena: poucas bandas de heavy metal chegam à quarta década de existência mantendo relevância comercial e, ao mesmo tempo, reunindo em uma mesma formação vocalistas de fases historicamente rivais.

É esse o verdadeiro assunto por trás da turnê, mais do que o show em si, o que está em jogo é como o Helloween decidiu lidar com sua própria história depois de décadas de rupturas.

Uma reunião que nasceu de uma briga

A convivência entre Michael Kiske, Kai Hansen e Andi Deris no mesmo palco é recente e, por muito tempo, foi tida como improvável. Kiske deixou a banda em 1993 em meio a atritos internos; Hansen já havia saído ainda nos anos 1980, antes da consolidação do time clássico. Foi só em 2016, com o anúncio do projeto Pumpkins United, que os três voltaram a dividir palco — e a experiência, inicialmente pensada como pontual, acabou virando parte permanente do grupo, com direito a disco de estúdio.

Nove anos depois, essa configuração tripla deixou de ser novidade para se tornar a própria identidade atual da banda. É esse arranjo — e não exatamente o aniversário de 40 anos — que sustenta o apelo comercial da turnê atual.

Um repertório de compromisso

Bandas com três vocalistas e quatro décadas de discografia enfrentam um problema prático: o que tocar, e o que necessariamente ficará de fora. As apresentações realizadas ao longo de 2026 mostram uma tentativa de equilíbrio — trechos do período fundador do fim dos anos 1980, canções da extensa fase Andi Deris (que já responde por mais tempo à frente do grupo do que os próprios vocalistas fundadores) e material do álbum mais recente, Giants & Monsters, lançado em 2025.

Na prática, isso resulta em shows longos, geralmente acima de duas horas, mas também em decisões de repertório que privilegiam mais a lógica de “contemplar todo mundo” do que a de arriscar. Não é incomum que bandas em turnês de aniversário optem por esse caminho mais seguro — o que talvez explique por que o show não é anunciado como uma celebração cronológica, mas como uma mistura deliberada de períodos.

O que muda (e o que não muda) em relação a outras passagens pelo país

O Helloween já não é estreante no circuito brasileiro, e a base de fãs do metal no país historicamente responde bem à banda. A diferença desta passagem está menos no setlist — sujeito a pequenas variações show a show, segundo o próprio guitarrista Michael Weikath já comentou publicamente — e mais no momento em que ela acontece: um marco redondo de carreira, com uma formação que só existe há uma fração desse tempo.

Resta saber se o público brasileiro vai reagir ao show como uma celebração histórica genuína.

Serviço

São Paulo

  • Data: 19 de setembro de 2026 (sábado)
  • Local: Suhai Music Hall — Shopping SP Market, Av. das Nações Unidas, 22540, Jurubatuba, São Paulo/SP
  • Abertura dos portões: 19h | Helloween: 21h
  • Classificação etária: 14 anos (menores acompanhados dos responsáveis)

Porto Alegre

  • Data: 16 de setembro de 2026 (quarta-feira)
  • Local: KTO Arena — Av. Severo Dullius, 1995, Anchieta, Porto Alegre/RS
  • Abertura dos portões: 19h | Helloween: 21h
  • Classificação etária: 16 anos (menores acompanhados dos responsáveis)

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