Baterista italiano que passou décadas interpretando covers complexos assume agora o papel de compositor e entrega uma faixa que dialoga diretamente com a tradição sinfônica do metal progressivo.

Lorenzo Armando Aldo Bazzoni é baterista desde 1995, período em que circulou por diversos gêneros, do jazz à fusion, passando pelo rock até chegar ao progressivo, terreno onde parece ter encontrado sua identidade mais duradoura. Foi tocando covers de bandas como Symphony X, Dream Theater e Planet X que o músico desenvolveu o gosto por arranjos complexos e por uma escrita musical que não teme o excesso controlado. Há cerca de sete anos, decidiu inverter a lógica: em vez de interpretar composições alheias, passou a compor as próprias peças, mesmo sem formação teórica formal. Esse percurso não convencional ajuda a explicar o caráter instintivo e ao mesmo tempo ambicioso de seu projeto solo, hoje dedicado a um metal progressivo e sinfônico de vocação essencialmente instrumental.
“Aeolia” é a mais recente expressão dessa trajetória e carrega, de forma evidente, a marca da referência que mais moldou o ouvido de Bazzoni. A faixa remete de maneira direta ao universo do Symphony X, tanto na condução dramática dos temas quanto na forma como camadas orquestrais e guitarras se entrelaçam para sustentar uma narrativa musical de grande escala. A comparação não é gratuita: em uma entrevista concedida em 2015, o vocalista Russell Allen descreveu a experiência de ouvir o Symphony X como subir nas costas de um dragão e observar, lá de cima, um universo criativo vasto e épico. É precisamente essa sensação de amplitude que “Aeolia” busca reproduzir, com resultado bastante convincente na forma como equilibra grandiosidade e clareza de ideias.
O que chama atenção na composição é a maneira como Bazzoni, formado como instrumentista de percussão, consegue estruturar uma peça sinfônica com senso de progressão dramática, algo que normalmente exige domínio de orquestração e harmonia. A ausência de treino acadêmico formal, longe de ser limitação, parece ter empurrado o compositor para soluções mais intuitivas, resultando em uma música que soa cativante sem depender de fórmulas óbvias do gênero. Há um cuidado perceptível na construção de clímax e na dosagem dos momentos de tensão e resolução, elementos centrais em qualquer trabalho que se proponha a ser épico.
Vale notar que “Aeolia” se insere em uma produção que, segundo o próprio artista, tem se tornado cada vez mais eclética com o passar do tempo, ainda que mantenha as raízes neoclássicas e sinfônicas que marcaram seus primeiros trabalhos. Trata-se de uma faixa pessoal, descrita pelo próprio compositor como algo de que genuinamente gosta, o que talvez explique a naturalidade com que os elementos épicos se encaixam sem soar forçados. Como referência do gênero, “Aeolia” cumpre bem sua proposta: entrega escala, imaginação e espírito dramático em doses que dialogam com o que há de mais consagrado no metal progressivo sinfônico, ao mesmo tempo em que aponta para um compositor que, ano após ano, parece cada vez mais confortável em confiar no próprio instinto criativo.


