Lorenzo começou a compor como brincadeira. “Warhammer XII” não soa assim.

Baterista italiano sem teoria musical, o compositor de Parma chegou ao neoclássico pelo instinto — e o resultado dialoga de igual para igual com o prog europeu que o formou

Há músicos que compõem a partir de teoria, e há os que compõem a partir de imagem. Lorenzo parece pertencer ao segundo grupo — e “Warhammer XII”, sua faixa mais recente, deixa isso bastante claro nos primeiros segundos.

O trabalho se move dentro do prog metal neoclássico, um território que tem Symphony X e Circus Maximus como referências mais imediatas, mas também carrega ecos das passagens mais orquestrais e instrumentais do Dream Theater. A influência não aparece como citação direta, mas como vocabulário absorvido e reprocessado — aquela diferença entre soar derivativo e soar formado por algo.

O que chama atenção na faixa é o fluxo. “Warhammer XII” não para. Temas se abrem, a energia muda de direção, texturas orquestrais se sobrepõem à instrumentação progressiva, e o ouvinte vai junto sem sentir o peso da construção. Essa leveza estrutural numa peça de ambição claramente elevada costuma ser resultado de escolhas intuitivas mais do que de planejamento rígido — e é exatamente o que parece acontecer aqui. Ouça abaixo a música:

Lorenzo tem formação como baterista, e esse background aparece na forma como o lado rítmico da composição funciona: discreto o suficiente para não disputar espaço, presente o suficiente para sustentar tudo o que acontece nas camadas melódicas e orquestrais acima dele. É o tipo de equilíbrio que não se nota quando está certo, mas que faz falta quando não está.

O resultado é uma peça com ambição cinematográfica e uma linha emocional que atravessa toda a duração da faixa — algo que, no prog mais cerebral, nem sempre sobrevive ao processo de composição.

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