Com uma cozinha de peso e uma narrativa excêntrica, o músico britânico explora o Space Rock em uma faixa que une experimentação e diversão sem concessões.

Há algo de profundamente revigorante em artistas que não têm medo de abraçar o lúdico. O britânico Zachary Mason (nome artístico de Daniel Macintyre) é um desses nomes que parecem encontrar na liberdade criativa o combustível para sua vasta produção. Em seu single “The Funky Martians”, porta de entrada para o EP 5…4…3…2…1…, Mason nos convida para uma viagem interplanetária que funde o Space Rock com o groove do funk e a imprevisibilidade do rock experimental.
O que sustenta a estrutura de “The Funky Martians” é, primordialmente, a sua base rítmica de elite. Para dar vida a essa odisseia, Mason recrutou um time de peso: o baixo é assinado por John Thomasson (conhecido por seu trabalho com Little Big Town) e a bateria fica a cargo de Nate Barnes (da aclamada banda Rose Hill Drive). O resultado é uma faixa que se sente “viva”; o groove não é apenas um metrônomo, mas um organismo pulsante que carrega as camadas psicodélicas da composição.
A produção equilibra bem a clareza necessária para seguir cada elemento com uma textura levemente crua e analógica, o que confere à música o caráter orgânico essencial ao rock psicodélico. Nada aqui soa excessivamente processado ou rígido, permitindo que a “vibe” espacial respire livremente.
A letra de “The Funky Martians” apresenta uma trama digna das melhores ficções científicas cult: uma colônia humana em Marte é confrontada por nativos furiosos, apenas para descobrir que o conflito pode ser resolvido através da música funk. É um conceito peculiar que Mason entrega com uma interpretação vocal que não se leva a sério demais, permitindo que a personalidade da história brilhe.
Essa abordagem reflete a maturidade de um artista que, aos 28 anos, já produziu mais de 200 demos desde que começou a gravar em 2021. Mason demonstra que a quantidade de material produzido refinou sua capacidade de casar conceitos visuais e líricos com a sonoridade adequada.
Residente em Guildford, Surrey, Zachary Mason já não é um desconhecido da crítica especializada. Com passagens por publicações como SPIN Magazine, Rolling Stone en Español e The Big Takeover, o músico vem consolidando uma trajetória independente sólida, com singles figurando em paradas de rádio indie e despertando o interesse de supervisores de sincronização em mercados como os EUA e o Brasil.
“The Funky Martians” é um exemplo de como o Rock Experimental pode ser acessível quando há um norte melódico e um groove contagiante. Zachary Mason prova que, seja através de violões acústicos influenciados por Neil Young ou de sintetizadores psicodélicos, sua identidade reside na capacidade de contar boas histórias — mesmo aquelas que acontecem a milhões de quilômetros da Terra.


