Dupla sueca de death metal melódico lança single de maio de 2026 que aposta em riffs maciços, vocais guturais e uma mixagem que deixa cada elemento respirar

Há temas que o metal extremo revisita com frequência, e o fim do mundo é um dos mais antigos. O desafio, quando uma banda nova decide encará-lo, está menos na escolha do assunto do que na forma de traduzi-lo em som. Em “End of Days”, lançada em maio de 2026, o Odjur parece ter entendido isso: em vez de se apoiar em gestos grandiloquentes, a faixa constrói sua atmosfera de colapso a partir da densidade dos instrumentos e da firmeza do andamento.
O grupo surgiu em 2024 na Suécia e se define como uma banda de death metal melódico. A formação gira em torno de Gustaf, que assina guitarras e baixo, e de Peter, nos vocais, e os dois adotam os pseudônimos Hati e Garm, nomes que remetem a criaturas lupinas da mitologia nórdica. O próprio nome da banda, que em sueco significa “fera”, sintetiza a estética de floresta, frio e ameaça que acompanha o projeto. É um imaginário conhecido do metal escandinavo, mas aqui ele serve a uma proposta clara, sem excesso de enfeite.
O principal trunfo da música está nas guitarras. Os riffs têm corpo e massa, e sustentam uma levada pesada e cadenciada, mais interessada em esmagar do que em acelerar. Baixo e bateria trabalham em bloco, com uma insistência que dá à faixa o caráter de marcha inevitável, coerente com a ideia de um mundo que desce rumo ao caos. Sobre essa base, os vocais guturais entregam uma interpretação intensa e sombria, que se encaixa bem na temática apocalíptica sem soar caricata.
Vale notar que o refrão cumpre um papel importante na construção da faixa. Num gênero em que a agressividade muitas vezes se sobrepõe à memorização, o Odjur consegue um trecho forte e de fácil fixação, que ancora a música sem abrir mão da dureza. É nesse ponto que o componente melódico do estilo aparece com mais clareza, funcionando como contraponto ao peso e dando à canção um desenho que o ouvinte reconhece já nas primeiras audições.
A produção também merece registro. A mixagem soa nítida, potente e equilibrada, o que não é pouca coisa em um estilo propenso a transformar a densidade em lama sonora. Cada instrumento ocupa seu espaço, e a clareza reforça a impressão de uma banda coesa, com domínio do que quer comunicar, mesmo sendo um projeto de existência recente.
Como em quase toda banda em início de trajetória, o próximo passo será ampliar o repertório e mostrar como esse mesmo cuidado se desdobra em trabalhos mais longos, talvez explorando com mais ousadia os contrastes entre brutalidade e beleza que a própria banda diz buscar. Por ora, “End of Days” funciona como um cartão de visitas sólido: direto, pesado e bem acabado, com identidade suficiente para despertar curiosidade sobre o que o Odjur fará a seguir.


