Storia integra Gabriel Filgueiras e alinha maturidade de palco a novo ciclo de estúdio

Com bagagem de produção e técnica apurada, baterista carioca assume as baquetas do grupo às vésperas de abertura histórica para o Angra em São Paulo e pavimenta o caminho para o sucessor de “Revenant”.

Crédito: Felipe Cavalieri

A substituição de um integrante em uma banda que opera sob narrativas conceituais costuma ser um teste decisivo para a coesão interna. No caso da Storia, o encerramento do ciclo com Thiago Caeiro e a efetivação de Gabriel Filgueiras na bateria surgem não como um desvio acidental de rota, mas como um movimento estratégico de recalibragem técnica. Aos 21 anos, o músico carioca une a pegada dos palcos à vivência como produtor na Revanche Produtora, agregando uma perspectiva analítica de estúdio que interessa diretamente às pretensões autorais do grupo.

O anúncio encerra um período de sedimentação fundamental construído com Caeiro, que sustentou a bateria durante todo o processo de edificação e divulgação de Revenant: A Righteous Revenge. Foi essa base que permitiu à Storia transitar de promessa a realidade no circuito nacional, culminando em experiências de alta exigência cênica, como a participação na turnê brasileira de Fabio Lione, em que o quarteto atuou tanto na abertura quanto no suporte direto ao vocalista italiano. Trata-se de uma rodagem que elevou o patamar profissional da formação e estabeleceu um padrão rigoroso para qualquer transição de formação.

A estreia formal dessa nova configuração acontece em um cenário de visibilidade emblemática. Ao abrir a celebração dos 25 anos do clássico Rebirth, do Angra, no Tokio Marine Hall, a Storia se posiciona diante de um público histórico e exigente em uma noite que ainda reúne Hibria e a participação de Edu Falaschi. Mais do que uma simples apresentação de suporte, a data funciona como um rito de passagem prático, colocando à prova em grande escala a dinâmica rítmica entre Filgueiras, o baixista Pablo Guillarducci e o guitarrista Gabriel Veloso, sob a liderança vocal de Pedro Torchetti.

Encerrada a maratona de shows, o foco volta-se para o verdadeiro objetivo dessa renovação: a composição e produção do próximo álbum completo de inéditas. A inserção de um baterista com perfil de produtor tende a influenciar o tratamento tímbrico, os andamentos e a arquitetura das novas faixas desde a raiz, conferindo frescor a um estilo que facilmente escorrega para fórmulas pré-fabricadas. A banda parece consciente de que a evolução sonora depende de aportes que vão além da mera execução instrumental.

Ao orquestrar uma passagem de bastão serena em meio a compromissos de grande porte, a Storia demonstra maturidade incomum para sua geração no metal nacional. O ingresso de Gabriel Filgueiras sinaliza o início de uma etapa mais vertical, na qual a experiência acumulada nas estradas encontra na juventude e na técnica de estúdio o impulso necessário para consolidar sua identidade autoral nos próximos anos.

SERVIÇO:

Angra — 25 anos de “Rebirth”
Data: 3 de outubro de 2026
Local: Tokio Marine Hall
Cidade: São Paulo/SP
Angra: apresentação especial de “Rebirth”, com participação de Edu Falaschi
Convidado especial: Hibria
Abertura: Storia
Ingressos: https://www.ticketmaster.com.br/event/angra-tokio-marine-hall

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