Com a faixa “Birth To Bile”, o projeto de Will Francis constrói uma metáfora pesada sobre a luta humana — e a música acompanha

Death metal com conceito de verdade é mais raro do que parece. É fácil empilhar distorção, gutural e bateria acelerada e chamar de extremo. Mais difícil é fazer a música dizer algo — e fazer isso sem abrir mão da brutalidade que o gênero exige.
“Birth To Bile”, segunda faixa do EP 5 Pentacles, lançado em 2025, começa exatamente de onde o doom metal dos anos 80 parou: com riffs pesados, atmosfera de filme de terror e aquela lentidão que aperta o peito antes da tempestade. Mas a música não fica ali. A produção vai evoluindo, ganhando camadas e dinâmica, até chegar em um resultado que soa contemporâneo sem perder o peso e a sujeira que a proposta pede.
A metáfora por trás da faixa é tão direta quanto brutal: o nascimento até o poço de bile — amarela, verde, viscosa — como representação da vida. A luta constante, a subida difícil, até o momento em que se rompe a membrana e se sai do outro lado. É uma visão de mundo crua, sem romantismo, e a música carrega isso com convicção.

O que diferencia “Birth To Bile” de boa parte do death metal atual é justamente o cuidado com a construção. A faixa não se contenta em ser pesada pelo peso. Há dinâmica real no arranjo, nuances na produção que criam respiro dentro do caos — e isso se mantém ao longo de todo o EP, que atravessa suas cinco faixas com consistência de propósito.
UNHOLY ainda está em fase de lançamento de singles e produção de conteúdo audiovisual, mas o EP 5 Pentacles já deixa claro que há algo mais calculado acontecendo aqui do que o comum no underground. Vale o play — e o volume alto.
5 Pentacles está disponível nas plataformas digitais.


