Zynertia abre “Crossing Boundaries” com riff pesado e vocal que resgata o alt metal dos anos 2000

“Static in the Walls”, faixa de abertura do álbum conceitual do projeto solo de Tony Loignon, mistura execução instrumental sólida com um processo de produção híbrido, que combina gravação tradicional e geração musical assistida por inteligência artificial.

A Zynertia é o projeto de hard rock e metal alternativo do músico Tony Loignon, radicado em Arlington, no Texas, e “Static in the Walls” é a porta de entrada para “Crossing Boundaries”, álbum conceitual de dez faixas lançado em junho de 2026. A canção estabelece o tom sonoro que vai guiar o restante do disco, apoiada em riffs pesados e uma tonalidade de guitarra que remete diretamente às referências do alt metal e do hard rock que dominaram rádios e trilhas do início dos anos 2000 até a década seguinte. Há um cuidado perceptível na construção do tom de guitarra, com camadas que equilibram peso e clareza, sem soar comprimido ou artificial na mixagem.

O que chama atenção em “Static in the Walls” é a execução como um todo. Loignon assina sozinho a escrita, a composição, a produção, a gravação, a mixagem e a masterização do álbum, além de tocar pessoalmente todas as partes de guitarra e baixo. Esse tipo de controle integral sobre o processo criativo costuma gerar obras mais coesas esteticamente, e é possível notar essa coerência na faixa, que não soa como um mosaico de decisões dispersas, mas como um projeto com direção clara desde o primeiro compasso.

Um ponto que merece destaque, e que o próprio artista não esconde, é o processo híbrido usado na construção de “Crossing Boundaries”. Segundo a bio divulgada pela Zynertia, o álbum combina gravação convencional, composição original, instrumentação MIDI e geração musical assistida por inteligência artificial, aplicada especificamente nas performances vocais e em parte do material instrumental. Essa geração foi guiada por diretrizes de andamento, tom, progressões de acordes, estrutura, dinâmica e som definidas por Loignon, que depois adicionou composições originais, regravou guitarras, compôs partes adicionais de sintetizador e elementos atmosféricos, remodelou os arranjos de bateria e reescreveu trechos de baixo para ajustar emoção e energia antes de mixar tudo junto. É um método de produção que ainda gera debate no meio musical, mas que aqui aparece descrito com transparência, como uma ferramenta a mais dentro de um fluxo de trabalho artesanal e supervisionado, não como um atalho para substituir decisões criativas.

O resultado sonoro da faixa é o de um vocal que carrega uma entonação familiar a quem acompanhou o alt metal e o hard rock de gerações anteriores, mas encaixado em uma produção atual, sem parecer um exercício de nostalgia vazia. Essa combinação entre referência e atualização é um dos pontos mais interessantes de “Static in the Walls”, já que evita tanto a imitação literal de bandas do passado quanto uma modernização que apagasse as raízes do gênero. O desempenho comercial inicial do álbum, que já soma mais de 60 mil streams no primeiro mês e aparece como o lançamento de estreia mais bem posicionado em Alt Metal e Hard Rock entre novos artistas nos últimos seis meses segundo a Soundcharts, sugere que essa proposta encontrou ressonância com um público específico, ainda que a repercussão de curto prazo não seja garantia de relevância duradoura.

Vale registrar também a camada conceitual do projeto, que vai além da música. A Zynertia construiu um universo visual paralelo, povoado por personagens como Rex Voltage, Kai Stormbraid, Diego Dreadforge, Mason Steelgrave e Bruno Ironhide, que substituem a ideia de uma formação de banda tradicional por uma identidade ficcional. “Crossing Boundaries” percorre temas como conflito, raiva, reflexão e controle ao longo de suas dez faixas conectadas, e “Static in the Walls” cumpre bem o papel de abertura, apresentando tanto a sonoridade quanto a tensão temática que devem se desdobrar no restante do álbum.

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